«Macbeth 0.8»

Lady Macbeth loucaMacbeth e Lady Macbeth

Duncan faz de Malcolm seu príncipe herdeiro.Jovem Siward morto

Diário de bordo: data estelar onze de outubro do marco zero ponto sete da era de aquário. À tarde, no quintal da Escola Livre de Cinema, em Belo Horizonte, um certo diretor-ator reúne-se com seus atores-criadores. A pauta: um texto escrito para teatro, que completara, naquele momento, nada menos que quatrocentos aninhos. Ou quatrocentos e um, por aí. Alguns dias depois, uma pergunta assola o tal diretor: por que? Pode parecer vaga, mas a pergunta foi exatamente essa: por que montá-lo? A resposta parecia segura em teoria, mas na prática se revelaria extremamente complexa.

O texto de William Shakespeare é uma daquelas obras que depois que se lê pergunta-se por que ainda não se havia lido. De todas as suas tragédias, “Macbeth” é a mais curta e devastadora. Inspirada em um Macbeth verdadeiro que reinou na Escócia entre os anos 1040 e 1057 da era cristã – apesar do tal rei histórico ter, certamente, governado de maneira muito diferente –, a peça tem um foco teleobjetivo: o uso que os líderes fazem do poder. E para atingir o intento, Shakespeare discute a raiz dos valores humanos, colocando em questão o grande paradoxo que move os indivíduos. Em outras palavras, o bem e o mal.

Macbeth e LennoxDamasPorteiro

Até aí, tudo bem... Tudo bem nada! Muito mal! Tradução, estudo, dramaturgia, concepção, etc, etc, reafirmavam diariamente no diretor, no elenco e em toda a equipe a sensação de que estavam diante de um desafio e tanto, onde o desequilíbrio era mola-mestra.

Quebrar a cabeça é doloroso e fascinante: coloca-nos constantemente em xeque. Testa nossa intuição. Faz com que questionemos os conceitos. Se hoje adquiridos eles podem, amanhã, ser completamente revistos. Mas, já que estamos em xeque, movamos então as peças.

O tabuleiro está armado. A música vai começar. As imagens serão projetadas. Os espectros, como à frente de uma grande angular, ocuparão o quadro. A inesgotável dança da vida.

Uma bala adoça a boca. Pode também fazer pulsar o peito, abrir os olhos, ocupar a mente e revolver o espírito. Sintamos, pois, o seu gosto.

Cláudio Costa Val

 

Ficha Técnica

realização: Teatro Som e Fúria

autor:
William Shakespeare

direção e dramaturgia:
Cláudio Costa Val

acompanhamento de estudos e tradução (cenas das bruxas):
Aimara Resende

assistente de direção:
Luíza Kangussu

preparação corporal e vocal:
Alexander de Moraes

produção executiva:
Cláudio Costa Val

direção de produção:
Anna Lirah

assistente de produção:
Daniela Savassi

atores e atrizes:
Abdon Braga..... Duncan, 2º Assassino, Velho Siward
Anna Lirah..... Lady Macbeth
Cláudio Costa Val..... Soldado, Ross, Porteiro, 1º Assassino
Dayane Lacerda..... 2ª Bruxa, Dama de Lady Macbeth
Evandro Vinícius..... Sargento, Lennox, Jovem Siward
Igor Ayres..... Soldado, Malcolm, Fleance
Laura Picorelli..... 3ª Bruxa, Dama de Lady Macbeth
Leonardo Fernandes..... Soldado, Macduff, Filho de Macduff
Luccio Paiva..... Capitão, Banquo
Marco Túlio Ornellas..... Macbeth
Suzana Cruz..... 1ª Bruxa, Lady Macduff

músicos:
Cláudio Costa Val..... baixo, percussão
Juliano Jubão..... guitarra, percussão
Luiz Marcos Garcia..... bateria

composições e direção musical:
Cláudio Costa Val
Juliano Jubão

cenário e objetos:
Marney Heitmann

assistente de cenografia:
Janaína Beling

cenotécnica:
Sotero Antunes

assistente de cenotécnica:
Enio Baleones

figurinos:
Ricca

confecção:
Dilsa Novaes
Renata Mendes
Elza Pereira
Jamil Alves (botas)

caracterização de personagens:
Regina Maia

desenho de luz e operação:
Bruno Cerezoli
Marina Arthuzzi

projecionista (16mm e vídeo):
Laudimir Vieira

roadie crew (banda):
Wladimir Moura

fotos (programa):
Igor Ayres

fotos (espetáculo):
Ludiana Marques

design gráfico:
Anna Lirah
Nildo Monteiro

O Filme na Tela

direção e câmera:
Cláudio Costa Val

edição e pós-produção (RJ):
Wladimir Moura

maquiagem:
Fernanda Oliveira

efeitos de fumaça:
Abdon Braga

elenco:
Adriano Gilberti
Anna Lirah
Bruno Souza
Dayane Lacerda
Igor Ayres
Johnnie Lustoza
Juliano Jubão
Laura Picorelli
Leonardo Fernandes
Luccio Paiva
Luiz Marcos Garcia
Marco Túlio Ornellas
Suzana Cruz
Thiago Macedo
Wladimir Moura

filmagem para transfer ao 16mm:
Sérgio Gomes
Marcello Marques

câmera 16mm:
Bolex Paillard H16 Reflex

negativos 16mm:
Kodak 7222 (p&b)

revelação e telecinagem:
Labocine do Brasil – RJ

apoio:
Escola Livre de Cinema – E.L.C./BH
Parpadeo Cinevídeo